27 de ago de 2012

Letras ao Vento


Filosofia do Ocaso
Há lógica
ou descaso
no calhar do acaso?
A saber
Olhar
nem sempre
é ver.
Cônjuge
Me, comigo
Te, contigo
Quais as chances de você Nos conjugar?
Despudor
Por amor
pelo chão
amar-se-ão.
Vôo
O que me cola
em teu colo:
Ser vizinho do céu ou remoto do solo?
Desilusão
alta
é Falta?
Tônico
Pode o amor
ascender
sem poder?
Números
Não há magia
em contar
poesia.
História
De quanta efígie
contraditória
bebe a esfinge da memória?



Thuan
Bigonha
de Carvalho.

22 de ago de 2012

Ode à Moderna-Idade



Cabeças ocas e ainda assim preenchidas
Por ecos de morte em cantigas
Mal dormidas, repetidas
Em instantes de desatenção;

Sacolas vazias de amor
E cheias de vil pretensão
Olhos desatentos à cor
Ouvidos cautos à última liquidação;

Abjeta, qual caminhada chata
Passos se vão num compasso avulso
E seguem, de terno e gravata
O ritmo do relógio de pulso;

Mentes inertes, enclausuradas por inteiro
Em informações vindas não se sabe de onde
Crentes - Oh deus do dinheiro!
Descrentes - o amor já se esconde!

Cabeças baixas, olhos distantes
Do Céu, seguem distraídos
Mas sobem tão logo, hesitantes
Se encontram seus irmãos caídos;

Mendigos aos montes esbarram
Em muros de dignidade
Erguidos por poucos, que calam
Ante o doce som da modernidade;

O Sol, se pondo calado
A Lua, nascendo triste
Um, por sequer ser notado
Outra, sem dedos em riste.


À noite em silêncio então oro
Pela arte - flor que insiste em nascer
Orai junto a mim, eu imploro:

Que nesse solo de corações de pedra,
Regai, com suor e prazer,
Rogai, que de amor ela medra.


Thuan Carvalho.

14 de ago de 2012

Prosa Doce.


Ando represando em ti meus devaneios
Repensando em destruir esses freios
Que mínguam o interior de meu ser,
É que ao sentir sentimentos alheios
Sou incapaz de expressar meus anseios
E gozar com esse estranho prazer;

Ando procurando teu rosto n'Alva Lua
Recitando poemas na rua
Para a pedra no meu caminho,
É que a estrada sempre se insinua
Em toda placa vejo a imagem tua
Vou seguindo, mas sigo sozinho;

Nesse avanço, mesmo que lento
Não te alcanço, e muito a descontento
Dou por mim a mirar meu reflexo,
E por dentre meu corpo cinzento
Tua imagem se forma do vento
E eu me prostro de todo perplexo;


Como eu posso fazer rima se ao piscar tu me alucina com esse olor de cor vermelha?
Inspiro e em mim já se deita o dogma de minha própria seita que em ti por inteira se espelha,
Tal poema já se inclina disfarçado de chacina e sussurra em sua orelha,
Deito a tinta na caneta e num garrancho de cor preta faço mel de tua abelha.





Thuan Carvalho

2 de ago de 2012

Lamento.


E de tanto se conter,
Derramou em sua jornada;
Do nascer ao perecer,
Uma lágrima contada.

Não chorou quando neném,
Nem tampouco foi criança;
Completou meio vintém,
Sem de choro ter lembrança.

A primeira namorada,
Fez daquilo uma piada
E afastou-o de sua vida;

Foi então que, em agonia,
Derramou uma gota fria
No bilhete suicida.


Thuan Carvalho