15 de fev de 2011

Valsa em cores.


Quando ela me vem, alva

meatropelameafoba e seduz,

Me tira da solidão, me salva

e caminha de volta para a luz.


Vem tão branca que a Lua se ouriça

ao ver concorrente à altura

Então ela, ávida, se espreguiça

mas não consegue atingir tal candura.


E se ela aparece amarela

contra a sombra da minha janela

nem assim o medo me desperta.

Pois qualquer cor pode ser a cor dela

camaleão que fugiu d’uma tela

e me espia da cortina entreaberta.


E se negra ela vem, ao crepúsculo

dou-lhe astros e estrelas-cadentes

O estupor me retesa o músculo

e as noites se fazem mais quentes


E tão bem ela se porta de céu

que, intrigado, fico a pensar:

Seria o detalhe negro do chapéu

sua pele a se prolongar?


N’outro instante ela gira e é morena

caminhando ao chacoalhar da melena

pele jambo de sol e de sal

E na minha direção vem, serena

estendendo sua mão tão pequena

um segundo de eterno carnaval.


Thuan B. Carvalho

Um comentário:

  1. Nada me deixa muda,
    nada me faz parar.
    Só a rima certa,
    a estrofe perfeita.
    Ou o seu olhar.

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