24 de mar de 2011

Paulo Paulatino


Esse senhor que não vê minha pressa

Como pode lentidão como essa

Ante a vida que ruge entre nós?

Tento então, ágil, me esquivar

Mas meu caminho ele torna a fechar

Num gingado tal qual valsa a sós.



Vejo assim, como única opção

Dessa minha enorme pressa abrir mão

E a passos lentos fico a observá-lo;

E quando estou acompanhando seu ritmo

Sinto algo se alterando em meu íntimo

De modo que abismado eu me calo.



O sol incide em seus brancos cabelos

O impacto ouriça-me os pêlos

A realidade me fura como espinho;

E ao mirar a sombra daquela imagem

Ainda não sei se concreta ou miragem

Reparo que o senhor não vai sozinho.



O tempo vai caminhando consigo

Ele até o chama de amigo

Afinal, quanta intimidade!

E o chão TOCTOCando a bengala

Lento como o bocejo que se exala

Enquanto Paulo Paulatinava a cidade.


Thuan B. de Carvalho

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