17 de jul de 2014

Ordem Pública


Celebra tua esperança provisória
para que a corroa, lento e insaciável
o doce veneno das aranhas,
Grita tua alegria ilusória
para que os cães, julgando intolerável
arranquem dela aos dentes as entranhas,


Ilumina tua desnecessária presença
para que os seres atraídos por doença
se amontoem sobre tua carne fraca,
Divulga tua vitória não vencida
para que as moscas, ao verem a ferida
proliferem-se de tua felicidade opaca,

Ah, carência inoportuna
viver já não preenche tua lacuna?

Ah, mergulho no vazio
não é de afago que precisas...
é de cio.


Thuan Carvalho.

2 comentários:

  1. Hahaha... final surpreendente! Adorei!...
    De mil sentidos!...

    Beijos =)

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