Cabeças ocas e ainda assim preenchidas
Por ecos de morte em cantigas
Mal dormidas, repetidas
Em instantes de desatenção;
Sacolas vazias de amor
E cheias de vil pretensão
Olhos desatentos à cor
Ouvidos cautos à última liquidação;
Abjeta, qual caminhada chata
Passos se vão num compasso avulso
E seguem, de terno e gravata
O ritmo do relógio de pulso;
Mentes inertes, enclausuradas por inteiro
Em informações vindas não se sabe de onde
Crentes - Oh deus do dinheiro!
Descrentes - o amor já se esconde!
Cabeças baixas, olhos distantes
Do Céu, seguem distraídos
Mas sobem tão logo, hesitantes
Se encontram seus irmãos caídos;
Mendigos aos montes esbarram
Em muros de dignidade
Erguidos por poucos, que calam
Ante o doce som da modernidade;
O Sol, se pondo calado
A Lua, nascendo triste
Um, por sequer ser notado
Outra, sem dedos em riste.
À noite em silêncio então oro
Pela arte - flor que insiste em nascer
Orai junto a mim, eu imploro:
Que nesse solo de corações de pedra,
Regai, com suor e prazer,
Rogai, que de amor ela medra.
Thuan Carvalho.


















